O que todos deveriam saber sobre design para aplicativos

O design é muitas vezes entendido como um processo visual que muita gente associa a criação de resultados associados à estética. Embora não exista um erro na representação de significado, o design na sua forma mais abrangente, significa projetar. E é por isso que cada vez mais pessoas utilizam o modo de pensar do designer como uma ciência eficaz para solucionar problemas e pensar na satisfação que o usuário vai ter ao utilizar uma ferramenta, serviço ou produto.

Mas sabendo que o design pode colaborar da concepção ao produto final, uma pergunta que pode vir à sua mente é: como utilizar o design para gerar uma maior empatia com o meu provável cliente no meu próximo aplicativo?

Será que focar na eficiência, consumo de dados e a capacidade que ele vai ocupar no celular já seriam suficientes para conseguir diferencial no mercado?

Na maioria das vezes não.

Um processo de design eficiente foca na experiência que o usuário vai ter e como ele vai conseguir operar de forma a fluída e amigável um projeto tecnológico. Por isso, o estudo da arquitetura das informações, histórias de usuários bem pensadas e um estilo gráfico que vai de acordo com a temática do projeto, ou seja, o uso de uma paleta de cores e tipografia (fonte do texto) podem trazer mais significado para o produto, fidelizar o cliente e deixar o consumidor mais confortável para ficar mais tempo no “app”, para recomendar para outras pessoas.

Logo abaixo listamos os principais objetivos para o design de um aplicativo:

  • Ajudar o usuário a compreender o funcionamento do aplicativo;
  • Reduzir a curva de aprendizagem para um menor tempo;
  • Contribuir para a realização de tarefas, mesmo sem conhecimento prévio;
  • Indicar ao usuário a orientação do sistema e a utilização no decorrer do processo.

Sabendo desses fatores você deve ter em mente que um bom design é feito através de um estudo de perfil do usuário, da definição de objetivos, de situações de uso e a da observação dos requisitos das plataformas que serão utilizadas, já que seu objetivo é atingir diversas classes sociais, uma vez que além de funcional o sistema deve ser leve e compatível com celulares de baixo custo.

As heurísticas de Nielsen para o design de interface

Gerar todos esses processos pode demandar muito tempo ou a necessidade de ter uma equipe bem grande se você não tiver em sua base referências de aplicativos e não está ciente de estudos adaptativos que o consumidor adquiriu nos últimos 15 anos, onde já é comum que ao clicar em “x” o usuário sabe que é cancelar, setas apontando para o lado esquerdo serve para voltar a página, a tela do celular treme para significar que sua ação está errada.

Para facilitar a geração de valor para nossos aplicativos e auxiliar na construção do Design é interessante analisar como podemos empregar as Heurísticas criadas por Jacob Nielsen, cientista da computação que estabeleceu parâmetros de usabilidade para construir layouts e composições de interfaces mais funcionais.

Heurística #1 – Visibilidade do status do sistema

É importante que você estabeleça de forma visual uma hierarquia para o sistema no intuito de gerar visibilidade para o usuário que acessa o aplicativo, onde ele se encontra e qual é a tarefa em andamento que está em execução.

Um bom exemplo são as lojas virtuais como amazon, mercadolivre e americanas, que possuem o processo de checkout, definido por etapas. Os sistemas auxiliam que o usuário se localize e passa a ideia de quanto tempo o usuário levará para efetuar o processo em curso.

Um fator interessante é que a aplicação dessa etapa diminui as taxas de abandono no carrinho se o seu aplicativo tiver um e-commerce, já que o usuário pode não efetuar a compra se aquele processo passar a sensação de burocracia.

Heurística #2 – Compatibilidade entre o sistema e o mundo real

O segundo conceito está relacionado com regionalidades ou nacionalidades. Você deve focar em ícones, texturas ou imagens, que gerem empatia dependendo do público alvo do seu aplicativo.

Por exemplo usar ícones folclóricos para regiões do nordeste faz muito sentido para gerar familiaridade. Mas é bem provável que esses símbolos não sejam globais como ícones de carrinhos que simbolizam efetuar uma compra ou a lixeira como a ação de excluir, que podem ser usados para aplicativos em geral.

Heurística #3 – Controle e liberdade para o usuário

Dar opções para que o usuário decida como deve se comportar é interessante. Imagine a partir da criação do aplicativo, o usuário possa ter controles de cor, luz, áudio, proporção e decidir se os avisos aparecem ou não e o modo que esses avisos podem aparecer.

Ter essa liberdade é essencial para o usuário.

Heurística #4 – Consistência e padronização

A padronização ajuda o usuário a aprender e compreender somente em um uso como executar uma tarefa.

Atualmente lojas e sites virtuais possuem padrões similares para não confundir o usuário e caso esses padrões sejam modificados, provavelmente eles criarão problemas na usabilidade dos sistemas.

Como por exemplo: se as pessoas em geral já são adaptadas com menus no topo de aplicativos, mudar essa lógica pode dificultar o ritmo de aprendizado.

É necessário evitar padrões visuais muito diferentes para reforçar a marca e dar consistência para sua empresa e facilidade para os usuários.

Heurística #5 – Prevenção de erros

Esse ponto é necessário para que o usuário evite fazer ações indesejadas ou por engano. Você deve construir padrões que quando necessários exibam pop-ups de confirmação, toda vez que o usuário apertar o botão.

Esse fator é muito perceptível em aplicativos de bancos ao realizar depósitos ou transações, ou mesmo quando aquela pessoa está usando a aplicação esqueceu de preencher algum dado de cadastro.

Heurística #6 – Reconhecimento em vez de memorização

É muito importante que a interface consiga dialogar com o usuário para que ele não tenha que utilizar a memória para lembrar das ações, já que a nossa capacidade de memorização é limitada.

Por isso, é essencial pensar em uma estratégia que “ao pressionar por alguns segundos” gere informações sobre a ação que vai ocorrer.

Outro ponto que ajuda é o preenchimento automático de formulários de cadastros e senhas, já que facilitam ao usuário a ter uma progressão e agilidade no sistema.

Heurística #7 – Eficiência e flexibilidade de uso

Essa heurística é focada em estabelecer uma relação amigável com usuários experientes, bem como os que estão utilizando a primeira vez a aplicação.

Porém um dos fatores essenciais nesse passo é pensar como um idoso, já que em geral eles ainda não estão adaptados com grande parte dos aplicativos.

Um bom exemplo é o que a amazon faz na compra com 1 clique, além de evitar o trabalho para que o usuário preencha novamente o cadastro e o local de entrega, o aplicativo também garante que todo o processo de compra seja facilitado, já que o usuário só precisa clicar uma vez para ter sua compra efetuada.

Heurística #8 – Estética e design minimalista

Essa Heurística tem relação com a “regra de pareto”, que nos diz que 80% do resultado vem com 20% do trabalho.

Para construir uma estética que gere resultado é ideal saber que a maioria dos usuários que utilizam o aplicativo, só vão utilizar 20% da sua capacidade. Por isso, é muito importante que a interface seja bem pensada para aumentar o nível de compreensão para o usuário e qual a escolha que eles poderão fazer.

É muito importante que você estabeleça a parte visual do seu site com poucas cores, evitando a poluição que ocorria em sites na década passada. Utilizar as diferenças de contraste entre os ícones, ou seja, fundo escuro e ícones claro ou vice versa é uma boa solução. A mesma lógica dá para ser usada nos botões e ícones caso você queira chamar mais atenção.

Outro fator interessante é fazer o redesign da marca para deixa-lo minimalista, para que mais usuários consigam fazer associação e fixar a marca na mente.

Heurística #9 – Ajude os usuários a reconhecerem, diagnosticarem e recuperarem-se de erros

Seu aplicativo vai ter que passar por atualizações e modificações no decorrer do tempo, porém em muitos casos fica difícil os desenvolvedores compreenderem quais são os erros mais comuns para quem realmente está usando.

Por isso o ideal é criar alguns avisos e opções caso o programa não esteja funcionando direito e dar opções de como usuário pode recuperar seus dados ou fazer um backup das versões dos aplicativos.

Um bom exemplo disso é o que o Windows faz se o sistema travar, dando opções para que o usuário envie um diagnóstico e como proceder naquele erro em específico.

Heurística #10 – Ajuda e documentação

A última Heurística contribui para que o usuário comece a entender a mexer em aplicativos com nível de complexidade avançada ou de uso específico.

Nesse caso, alguns exemplos são os aplicativos voltados para engenharia ou áreas da saúde que podem conter guias, manuais ou dicas de ajuda e uso para melhorar a eficiência na utilização pelos usuários.

Além disso, se o “app” atingir uma grande quantidade de usuários é muito necessário criar um FAQ (Frequency Ask Questions), em tradução: perguntas frequentes, para ajudar que os usuários tenham menos trabalho ao usar a ferramenta.

Após conhecer todas essas Heurísticas, nós da acelerabit, esperamos ajudar você um pouco mais na construção do seu aplicativo e deixar ele mais fluido para que mais usuários se sintam satisfeitos e contribuam com a evolução do seu sistema e a divulgação da sua marca.

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